
Meu celular faz absolutamente tudo. Só não anda sozinho porque ainda não ensinei isso a ele.
Ele tem uma câmera que de fato é melhor do que a máquina digital que costumávamos ter. Manda e-mail, acessa a internet, tem msn. Com ele posso criar um documento de word, excel, power point (! – calma, não vou criar uma corrente e enviar a todos vocês).
Tem rádio e espaço de 8MB para guardar arquivos de MP3 (embora eu não saiba exatamente o que isso signifique na prática). Tem agenda de compromissos e funciona como modem. Tem realplayer, gravador de voz, teclado sem fio, conversor, gerenciador de arquivo, zip e PDF. Tem ligação direta com a impressora e GPS.
Ah! E tem leitor de código de barras, o que é absurdamente desnecessário, afinal, para o que serviria exatamente?! É preciso cadastrar os códigos primeiramente, antes de se meter a lê-los – então o que esperam?
_ Oi, eu vim aqui no mercadinho da Dona Cida cadastrar os códigos de barras de tooodos os seus produtos, porque isso pode facilitar a minha vida depois, ok? - não, definitivamente não.
No fundo o estabelecimento de milhares de funções em um único aparelho é uma tentativa escusa de criar uma ditadura do celular apartir de um mito de que todas as mulheres modernas realmente precisam de modernidades ao seu redor.
É óbvio que poder enviar um e-mail do fórum para o chefe (ahhhh, cadê o processo???), ou tirar uma foto do por-do-sol mais perfeito do mundo para poder mostrar ao namorado lindo que lembrou dele, ou ainda, usar a internet para as funcionalidades que o trabalho exige, é ótimo, e realmente o código de barras seria útil para uma super mulher que tem a segunda função de cuidar da casa após um dia exaustivo de trabalho.
Nem preciso dizer o quanto o GPS pode ser útil, ainda mais para uma pessoa como eu que não sabe exatamente se locomover sem se perder ao menos 1 vez (eu não me orgulho disso). Mas, obviamente, não ouso dizer que homens têm mais inteligência espacial que nós mulheres… (Simone de Beauvoir se remoeria no túmulo – melhor não)
Mas não penso que isso seja, assim, tão necessário e essencial em nossas vidas, sobretudo porque podemos perder nossa privacidade com tantas amarras tecnológicas ao nosso redor. (Quem nunca quis jogar o celular na parede porque tocou em momento inoportunos que atire a primeira pedra…ou o primeiro celular)
As vezes gostaria de poder desligar um pouco o celular e esquecer de que a vida, o trabalho, os prazos (advogado não tem vida, tem prazo), as cobranças, os concursos, ainda estão esperando por mim, por uma resposta, por uma reação.
Não gosto da sensação de ter que dar respostas rápidas, prontas, corretas. Não gosto de ter que ser a melhor em tudo, das exigências dessa vida moderna que as vezes tira o brilho da própria vida.
Gosto de usar a tecnologia para concretizar a minha própria liberdade e não para decretar minha prisão à prazos, telefonemas, reuniões, datas, exames, compromissos.
Olhei para o meu celular esta manhã, que já apitava freneticamente o último dia da Justiça Estadual antes do recesso de Páscoa e pensei: hoje gostaria de não ter celular, ainda que ele sirva como modem, ou que eu possa, se quiser, realizar uma conferência por ele. Ainda que ele tire fotos perfeitas e tenha espaço suficiente para guardar todos os meus e-books preferidos, ou que seja equipado com propriedades avançadas.
Hoje eu gostaria apenas de um copo de leite com chocolate bem quente, um filme antigo (humm, “O pianista” – com o Gui de preferência, que precisa fazer um paper de um filme para a aula de iniciação à pesquisa), um bate-papo com minha família depois do jantar, e o colo do Gui para terminar a noite.
Hoje, talvez, eu gostaria de um pouco menos de tecnologia e um pouco mais de saudosismo, daquelas cenas da nossa infância, onde o Bluetooth do celular e do notebook não iriam realmente ajudar para pegar a manga da árvore do vizinho.
Bom… agora vou ali. Cumprir os últimos prazos da Justiça Estadual, estudar para o concurso, e pensar o dia todo no cheiro da comida da minha mãe.
“Eu que já não quero mais ser um vencedor,
Levo a vida devagar pra não faltar amor”
(Marcelo Camelo)
Amei o site e o artigo. É duro ser mulher, pior ainda, mulher advogada.. bjs
Hummmm, celular é um mal necessário, mas às vezes faz mais mal do que bem. Acho que o meio termo tem que partir da gente, apesar de nem sempre ser possível, temos que pelo menos, tentar.
Adorei o texto, beijos,
obrigada pelo apoio, estou tentando não deixar a peteca cair… vc é de brasília?
vai ter sim, pro stj, se não me engano, mas para concurso de analista do stj, muita água ainda pra rolar até conseguir alcança-lo, mas acredito que o próximo concurso para analista será mais pra áreas especificas, sou formada em Secretariado Executivo, então só posso fazer concursos de nível superior quando abre para qualquer formação..
bem de qualquer forma vamos manter contato… abraços!
Adoooorei o blog (para te provar isso, basta dizer que estou digitando este comentario do meu ipod e eu odeeeio digitar neste treco) e vou virar frequentadora assidua (essa poha nao tem acento). Pode pegar o que quiser lah na Casa – tem a chave daquilo lah. Fique avonts, gataaam!
Celular é uma praga, mas a gente vive pensando: como pudemos viver sem isso por tanto tempo?? Não sei a sua idade, mas eu tenho 36, e vivi por muitos anos sem ele. Tô aqui, com saúde. Mas hoje por falta de um tenho 2! Ó céus!
Bjs
e eu que acabei de entregar a minha linha de celular.
pois é, não sei se conseguirei viver sem ele, mas anda me negando a ser rastreado em tempo integral e imediato.
será que estou me tornando um homem ultrapassado?
grande texto, gosto daqui.
sorte e luz.
Oie! Vim aqui retribuir sua visita no meu blog e adorei o seu! o texto do celular está muito bacana! Eu vivi os ultimos 45 dias sem celular e foi bárbaro! mas agora já tenho um novo e já me estressou sabia?!
boa sorte nos seus concursos e prazos (afe, sei bem o que é isto e sim concordo que advogado é tudo aquilo que vc colocou no seu primeiro post)
bjs e voltarei mais vezes aqui
Olá… Obrigada pela visita, venha sempre… mas eu nao sou amélia não… tbm queria largar minha vida de economista e trader pra ser…. hehehehehe. beijos
Adorei !
Um pouco menos de tecnologia de vez em quando vale, viu ?!
Adorei o final, tão terno… tão humano…
Obrigada pela visita lá no meu “Eucaliptos…” fiquei feliz, feliz…
Tenha uma Páscoa linda…
Um beijo e um sorriso,
Solange
http://eucaliptosnajanela.blogspot.com
Olha,
adorei o seu blog também e estava lendo o texto sobre o celular, mas digo uma coisa: sou viciada em tudo o que se refere a tecnologia e me vejo enjaulada com este celular. Acho que, se eu tiver que escolher entre dar 5.000,00 ou o celular ao ladrão, escolheria a primeira opção. É impressionante como este pequeno aparelhinho monopoliza todo um contexto emocional. hehehehe. “SOLTE-ME SE FOR CAPAZ”.